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Débora Bueno: uma vida dedicada à educação

A paranaense da cidade de Rolândia iniciou a sua jornada na educação aos 18 anos, ao concluir o magistério, dando aula na zona rural. Passados 50 anos, muitas experiências e histórias, ela concedeu uma entrevista à Veredas para falar sobre os principais desafios dessa trajetória e sobre o futuro da educação confessional no Brasil.

Há quem viva uma vida inteira sem encontrar o seu grande propósito nela. Não foi o caso da Débora Bueno. Desde muito jovem, já sabia o caminho que queria trilhar: o da educação.

Aos 18 anos, concluinte do curso de Magistério, foi ser professora, nas palavras dela, em uma escola que se localizava na zona rural da pequena cidade de Rolândia. Após esse início, no qual até merenda para os alunos ela fez, vieram as graduações em Letras e Pedagogia e uma série de desafios no exercício da sua missão de educadora cristã.

Essa jornada, além de análises sobre a educação confessional no Brasil, você encontra abaixo, por meio da entrevista que ela concedeu a nós.

Revista Veredas: A sua história com a educação começou muito cedo. Há quantos anos a senhora está envolvida com educação? Como foi que a senhora começou a sua carreira? Conta um pouquinho dessa trajetória para a gente.

Débora Bueno: Iniciei minha carreira profissional aos 18 anos, ao concluir o curso de Magistério, em uma escola pública da pequena cidade de Rolândia, no Paraná.

Fiz o concurso da prefeitura para professora primária (era o nome dado naquela época – 1973) e fui ser professora na zona rural.

Eram pequenas escolas, que ficavam em fazendas ou pequenos distritos, com salas multisseriadas, e o professor era responsável, não apenas por ensinar os conteúdos das séries (1ª à 4ª série), mas, ainda, por manter a sala de aula limpa e muitas vezes, por fazer a merenda também.

Depois cursei Letras e Pedagogia e fui conhecendo o trabalho como professora em outros segmentos. Trabalhei desde a Educação Infantil até o Ensino Superior.

Fui professora, coordenadora, diretora de escolas, no Paraná e em São Paulo. Tendo, também, uma breve experiência como diretora interina do colégio Presbiteriano Mackenzie em Brasília.   

Portanto, minha história com a educação tem quase 50 anos! E é recheada de bonitas e incríveis experiências!

Revista Veredas: O que a senhora pensa sobre o caráter de missão de um educador confessional?

Débora Bueno: O educador cristão tem um compromisso responsável com os fundamentos e valores do Cristianismo, isso o torna modelo e exemplo a ser seguido.

No evangelho de Mateus, capítulo 5, lemos: “Vocês são o sal para a humanidade; mas, se o sal perde o gosto, deixa de ser sal e não serve para mais nada. É jogado fora e pisado pelas pessoas que passam. Vocês são luz para o mundo. (…) Assim, também, a luz de vocês deve brilhar para que os outros vejam as coisas boas que vocês fazem e louvem o Pai de vocês que está no céu”. 

Por isso, mais do que competência e eficiência no desenvolvimento do trabalho escolar de excelência, a escola cristã e seus educadores têm uma “missão”: serem sal e luz! É missão de vida! Missão dada pelos fundamentos, pela visão cristã de mundo que move e sustenta seu trabalho, sua vocação! 

Revista Veredas: Qual foi o maior obstáculo que a senhora passou nessa vida de educadora? Como o administrou?

Débora Bueno: Prefiro pensar que não encontrei obstáculos, em minha trajetória profissional, mas desafios! Muitos desafios! Ensinar é desafio! Administrar é desafio! Lidar com sentimentos, relacionamentos e aprendizagem é desafio! O dia-a-dia de uma escola é desafio constante!

 Lembro-me de alguns momentos de grandes desafios… Vou citar dois.

O primeiro está ligado à alteração do nome da escola e de ajustes no PPP – Projeto Político Pedagógico – do Colégio Presbiteriano Mackenzie em São Paulo, onde eu era diretora.

Não havia no nome da escola a palavra Presbiteriano, o que deixaria clara sua identidade e essência. Houve, num primeiro momento a preocupação com a imagem da escola na comunidade externa e possível perda de alunos, o que não aconteceu. A imagem ficou fortalecida e o número de alunos aumentou. Mas foi necessário administrar a questão com as famílias, explicando, pacientemente, a quem nos procurava, que não haveria proselitismo no trato da questão e que os princípios ético-morais e valores universais buscado por todos seriam ensinados e vivenciados na escola.

O segundo diz respeito ao desenvolvimento da Proposta Educacional do Sistema Mackenzie de Ensino e a operacionalização da produção. Foi grande a responsabilidade, mas Deus reuniu pessoas especiais e comprometidas com essa “obra”, o que tornou o trabalho uma experiência gratificante e extremamente enriquecedora.

Não posso deixar de citar o Professor Solano Portela – Superintendente de Educação Básica do Mackenzie à época – e o Reverendo Mauro Meister – Diretor do Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper. Vivemos, eles, eu e uma equipe maravilhosamente comprometida momentos de extrema tensão e muito trabalho. Mas que valeram a pena!

Revista Veredas: Que momento marcou a sua trajetória na educação? Pode ser alguma história interessante que aconteceu, alguma mudança…

Débora Bueno: Como disse anteriormente, sou paranaense e iniciei minha trajetória profissional no interior do Paraná.

Depois de muitos anos de trabalho, em escolas de Londrina, decidi me mudar para São Paulo, aceitando um convite para trabalhar no Colégio Mackenzie, como Coordenadora de Ensino Fundamental II.

Certamente, uma mudança assim não é fácil e causa alguma ansiedade e preocupação. Mas quem confia em Deus, sabe que a vontade Dele é sempre boa, perfeita e agradável.

Deus abriu as portas e me abençoou sobremaneira… A partir de então, pude conhecer pessoas envolvidas com educação escolar cristã, entender e me apropriar de conhecimentos na área, aprendendo a colaborar com outras escolas, principalmente, no entendimento do que é a cosmovisão cristã aplicada à educação. 

Ser reconhecida como uma educadora cristã comprometida com a excelência educacional é minha maior alegria!

Revista Veredas: Qual a senhora considera que são os maiores desafios para a educação confessional hoje?

Débora Bueno: Creio que há grandes desafios para a educação escolar cristã, como, por exemplo: ir além de uma visão curricular focalizada em seus pormenores para mover-se a uma posição que integra claramente os detalhes do conhecimento em uma perspectiva bíblica; o currículo escolar ser visto como um todo unificado, e não em tópicos fragmentados; o ensino de qualquer tópico não ser apenas uma modificação da abordagem usual – deve ser, na verdade, uma nova diretriz radical daquele tópico dentro da estrutura filosófica do cristianismo.  

Revista Veredas: Como a senhora acredita que será o futuro da educação confessional?

Débora Bueno: A educação confessional está amparada tanto pela Constituição de 1988 quanto na LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) nº. 9.394 de 20 de dezembro de 1996.

Ambas definem o papel da escola como um agente capaz de contribuir para o pleno desenvolvimento da pessoa, preparando-a para a cidadania e qualificando-a para o trabalho e projetos em relação ao conjunto da sociedade.

As escolas confessionais precisam lembrar sempre que são legais (estão previstas na Lei) e necessárias, pois nas palavras do Reverendo Augustus Nicodemus: “A prática do ensino requer uma filosofia de educação, que, por sua vez, exige ideias, métodos e valores e se orienta para um ideal na educação”.

Por trás disso, e influenciando cada escolha que se faz, está uma concepção de vida, de mundo, do ser humano, que, por fim, irá determinar o método.

Quanto mais excelente, quanto mais comprometida com os valores eternos, melhor será o futuro da educação cristã!

Revista Veredas: A senhora vê uma tendência ao aumento da procura por essas instituições? Se sim, isso é motivado pelo o quê?

Débora Bueno: Sim. Vejo uma tendência no aumento da procura por escolas que ofereçam mais que a formação acadêmica formal.

 Entendo que há uma busca das famílias por uma educação que vise à formação integral do ser humano.

Vivemos uma crise de valores e as famílias têm repassado à escola a responsabilidade pela educação das crianças; já a escola não está preparada para assumir funções outras, além da educação formal. É preciso, portanto, unir forças: escola e família!

Nas palavras da Profª Isabel Parolin: “tanto a família quanto a escola desejam a mesma coisa: preparar as crianças para o mundo. No entanto, a família tem suas particularidades que a diferenciam da escola, e suas necessidades que a aproximam dessa mesma instituição. A escola tem sua metodologia e filosofia para educar uma criança; contudo, ela necessita da família para concretizar o seu projeto educativo”.

O segredo é trazer a família para junto da escola, lembrando do que nos diz o profeta Amós: “Acaso andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?”  (Amós 3.3).

As escolas cristãs têm a responsabilidade de orientar o coração da criança em direção à sua identidade como portador da imagem de Deus e como cidadão solidário e responsável.

CITAÇÃO

“Mais que competência e eficiência no desenvolvimento do trabalho escolar, a escola cristã e seus educadores têm uma ‘missão’: serem sal e luz!”

“O educador cristão tem um compromisso responsável com os fundamentos e valores do Cristianismo, isso o torna modelo e exemplo a ser seguido.”

“As escolas cristãs têm a responsabilidade de orientar o coração da criança em direção à sua identidade como portador da imagem de Deus e como cidadão solidário e responsável.”

Fonte: Revista Veredas, número 3.

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